Olá, tudo bem com você?
Eu espero que sim, sinceramente. E queria poder dizer o mesmo, mas não estou nada bem.
Queria, mas ultimamente ando meio complexada. Não sei, sabe aquele livro As Vantagens de Ser Invisível?
Pois bem, eu o terminei há pouco tempo e achei o livro incrível, mas estou com uma sensação estranha.. Acho que estou escrevendo da mesma forma que Charlie escrevia suas cartas, como se quem estivesse lendo fosse um amigo, ou meu diário. Sinto falta do meu diário, mas isso não vem ao caso. O fato é que esse livro fala de mim. Sou o Charlie na versão feminina e observo o mundo como se eu fosse platéia, não espetáculo, como se eu também não estivesse naquele palco. É complicado. Na verdade, eu sou toda complicada. Deve ser por isso que tenho poucos amigos, porque além de ser complicada eu aprecio a invisibilidade. E acho até que me cai bem.
Nunca gostei de ser o centro das atenções, não conscientemente. Minha terapeuta dizia que minhas atitudes provavam uma busca por atenção que eu não tive por conta de umas coisas aí na minha vida e isso se constatava com o fato de querer cursar Publicidade, um curso que tenho que lidar com pessoas o tempo todo. Na verdade nem sei como vou encarar tudo isso. Lidar com pessoas é complicado, não sei se serei capaz de encarar minha timidez e me colocar afrente de algo. Mas isso também não vem ao caso, o que quero mesmo falar é sobre o fato de passar pela vida só observando as coisas, não participando.
Não tinha pensado dessa forma, que não estou sendo eu. Estou me escondendo o tempo todo e as coisas só parecem se agravar. Eu sei me mostrar e diferente do Charlie eu tenho amigos, (ele só consegue amigos depois) só não os faço tão facilmente quanto queria. Chego em um determinado ambiente e prefiro manter-me invisível até achar o momento certo para falar, se aproximar de alguém, tudo bem, todo mundo tem disso, de aguardar seu momento, mas o meu às vezes demora e isso me dá uma certa angústia. Não há motivo especifico para isso, desde a 5ª série sofro para ir a escola, reclamava, berrava, chorava e algum tempo depois achava tudo incrível, me apegava, e quando tinha que mudar de colégio e o ciclo reiniciava, sempre foi assim. Nunca me adaptei a essas mudanças. E sempre preferi ser aquela calada, que senta perto da parede, só escrevendo besteira, olhando para o celular, ou lendo alguma coisa. Sempre preferi meu mundo, irreal e perfeito. Passei muito tempo dentro do meu casulo, sufocando meus sonhos, apertando minhas dores, aumentando meu sofrimento. Enquanto poderia viver, voar, fazer o que desse vontade, sair com vários amigos, conhecer lugares, pessoas, poderia dançar, sei lá.. Há uma infinita lista do que eu poderia fazer que não fosse me esconder do mundo.
Depois de ler esse livro, percebo o quanto eu perdi não participando das coisas, e me arrependo de algumas coisas, mas não de tudo, não mesmo. Pois essa sou eu, a garota que passa mais tempo desligada do que presenciando a vida. Espero não me decepcionar comigo, caso depois não tenha participado de algo. Só acho que tem momentos que eu realmente deveria ter participado e não fiz isso por medo do que poderiam pensar, do que poderiam falar, do que eu poderia achar depois..  Tem passos que foram cautelosos demais, sendo que eram esses no qual eu deveria ter caído depois ter arranjado um jeito de ter me levantado. (Está confuso? Desculpe, nem eu mesma sei o que estou escrevendo, só sei que preciso fazer isso. Espero que me entenda.)
Não que esteja tudo perdido, assim como Charlie posso querer participar das coisas, por mais que seja complicado no começo, eu sei que dá para fazer isso. Só preciso parar de ser complexada e acreditar mais em mim, parar de me rebaixar, parar de me excluir, acreditar na minha capacidade de conseguir as coisas, e acreditar que posso realmente ser especial para alguém, que alguém pode gostar de mim, independente do quão paranoica e perturbada do juízo eu sou.
Eu só preciso acreditar que posso me sentir infinita! ♥
Então é isso.
                                                                                              Com amor, Ana Valeska.

Deixe um comentário