Eu fui adiando o máximo que pude. Tinha receios sobre o que poderia acontecer. Me agarrei a meus assombros e achei que talvez eles fossem minha melhor companhia. 
A realidade que queria me consumir parecia ser dolorosa demais e eu não seria capaz de aguentar. E mesmo que fosse, não tinha o menor interesse nisso. Estava segura demais sentindo meus pés no chão, pra quê de repente me arriscar rumo ao desconhecido?!
Não, não mesmo. Eu e minha teimosia não iriamos a lugar algum.
Mesmo com toda minha objeção, algo estava acontecendo. Aos poucos fui me transformando. O que era firme tornou-se movediço e tudo que eu queria fazer era me esconder em uma capsula protetora, voltar para onde não deveria ter saído. Eu e meu mundo, seria bem melhor assim. Isolada de tudo e de todos. Ali parecia ser meu posto ideal. 
Até que a vida, fez-me ir. sem mais nem menos meu mundo parecia pequeno demais para manter-me nele, e me sentia cada vez menos acolhida. Na verdade, meu mundo parecia ter desmoronado sobre mim, e tudo que no momento eu pude fazer, foi ficar ali, parada, sem saber como proceder. Eu voar rumo ao desconhecido? Nunca.
Acha mesmo que ia mesmo desafiar minha vida com essas coisas? Imagina. 

Eu iria ficar ali, já havia dito.
Mas então, algo me nocauteou. Perdi meus sentidos, não sentia nada ao meu redor.
Parecia que eu estava sendo levada, como se tivesse criado asas para ir rumo ao mundo novo, que tanto tinha me amedrontado.
Mas espera aí! Eu havia sim criado asas, só não tinha me dado conta.



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