Mas tenho receio que possa me ler (como se fosse possível) e ter certeza que nessas linhas tem um pouco (muito) de você.
Eu queria escrever sobre você, sobre como éramos bobos e como nos perdermos no nó que nossa história deu.
Eu queria escrever sobre você, com outro enredo, com outro final. Mais um pouquinho e nossa história daria um bom texto, quem sabe até um bom livro, e até poderia servir de inspiração. Mais um pouquinho e suspiraria quando terminasse de contar com um sorriso estampado como a vida nos enlaçou, como tudo parecia se encaixar ao seu lado, como me fazia bem. Mais um pouquinho e seríamos o casal mais estranho e complexo que conheceríamos e não histórias isoladas de algo que não aconteceu.
Eu queria escrever sobre você, sobre nossos planos, nossas conversas sem sentidos, nossas promessas desfeitas com o tempo. Queria escrever sobre suas manias, sua maneira de enxergar o mundo e sobre como você era. Tão teimoso, orgulhoso, tão eu.
Eu queria escrever sobre você. Sobre nós. Sobre como me sentia, como ardia meu peito, como as borboletas voavam no meu estômago com qualquer coisa que se dizia ao seu respeito.
Eu queria escrever sobre você. E o beijo não dado, o abraço não recebido, as juras de amor não ditas, as lembranças não esquecidas.
Eu queria escrever sobre você porque não há nada de interessante para dizer sobre mim. E porque talvez assim, eu consiga esvaziar o coração. 
Eu queria escrever sobre você porque de algum modo (mesmo estranho), dessa forma, me sinto conectada a você. Sinto como se ainda fôssemos próximos, como se ainda tivéssemos intimidade, como se ainda fizesse parte da minha vida. 


Um Comentário

  1. Acho mágico como as palavras se enlaçam no encanto emanado de um desejo que se dissipa em cada linha para alcançar essa profusão de sentimentos...

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