Bah, vim postar algo que esses dias estava encucada. Sei lá, vi um post no Facebook de uma garota reclamando dizendo: "Ai, meu passado me condena!". E daí parei pra pensar.
Não, meu. Não é teu passado que te condena, é sua consciência de hoje, essa que se acha a maioral e mais inteligente que antes.
Sei lá, eu não vou dizer que nunca disse essa frase porque estaria mentindo, mas esses dias estava refletindo a respeito dela. Por que sentir tanta vergonha de algo que já fizemos, por que nos acharmos ridículas por usar uma roupa, ou ouvir algo da época? Por que julgar suas atitudes como mal pensadas e dizer que faria diferente se fosse hoje? Poxa, eu já me estressei muito comigo mesma do passado. Achava que eu tinha sido a menina mais horrorosa dessa cidade (e fui), que tudo que eu vestia era podre (e era), mas cá entre nós, hoje isso vale alguma coisa?! Bah, eu era feia? Era, mas ficar me chamando de burra por vestir uma roupa daquelas não vai adiantar, se eu me sentia bem daquela forma então pra que me estressar, sentir vergonha do que já foi, do que já passou?!
Talvez eu tenha vergonha sim, em determinados pontos. Tem assuntos que no passado poderia ter sido diferente, mas não foi por N motivos, e eu acho que tinha que ter escolhido caminho A e não B, mas e daí?! Teu passado, ridículo ou não te trouxe até aqui, te fez ser a pessoa que você é HOJE. Você pode achar que ele foi horripilante, mas sua cabecinha não pensava assim na hora de dançar o bonde do tigrão, ou quando você brincava de mestre mandou. Sua mente não achou ridículo dispensar aquele carinha, fingir não gostar de fulano, ou vestir aquela saia que só você gostava. Suas atitudes foram sensatas para o que você era no passado, o seu eu de agora não tem nada que ficar se chamando de idiota, e balançando a cabeça dizendo "não acredito que fiz isso". Você fez sim! Bah, quer dizer que agora eu vou dizer "não, eu não posso usar all star, vai que quando eu tiver com trinta anos vou achar isso feio?" "Não posso ficar sozinha agora, vai que eu não caso?" "Não vou ao show de fulano, porque quando eu tiver quarenta vou achar ele um babaca!" Fala sério, ninguém em sã consciência sai medindo seus passos e pensando em tudo antes de fazer. Ninguém fica pensando que não se deve respirar no automático porque assim não se tem noção do ar que entra nem que sai. (Que comparação bizarra! haha')
Eu quando era mais nova não ficava pensando em me achar ridícula por gostar de tal banda. Gostei de coisas que hoje eu tenho horror, cantei músicas que hoje me dão náuseas, achei meninos bonitos que hoje acho que eu era cega, gostei de pessoas que hoje nem olho na cara, mas poxa, não vou me jogar, nem cortar meus pulsos por ter vestido uma blusa que me fazia engordar 10 quilos mas que eu adorava. Eu não via essas coisas, não devo me culpar por isso, entende?!
Tem sofrimentos que são desnecessários, e hoje percebo que se martirizar por algo cometido no passado é um deles.
Meu passado me condena, mas nem por isso vou ter pena de mim, já tive, não mais. Se tem uma coisa que eu aprendi, foi que passado deve ficar lá, apenas pra ser apreciado, recordado e não lamentado. Se você tem vergonha de algo que fez lá, então não lembre, é melhor pra você e seu coração. Mas se você acha que deve lembrar e que com isso vai tirar uma lição, melhor ainda. Só não fique se fazendo de vítima, nem com peninha por ter sido tão boba. Como eu disse, foi isso que te deixou mais forte e mais preparada pra essas coisas do nosso presente e do nosso futuro.
Bah, espero que tenham gostado.
Beeijo!

Um Comentário

  1. Acreditamos tanto que o passado nos faz menos do que somos... Acho que podemos viver tranquilamente com os nossos erros. Tenho me condenado pelos meus erros recentes, os de meses atrás mesmo, e isso me serve como um alento para pensar que me perco por isso. O passado não pode se materializar e nos submeter dessa forma. Dentre as formas que se pode aproveitar do pretérito de nossas vidas, está afinal nossa lição de cada instante. Paixões, escolhas, palavras, situações, ações, reações, implicações, perdições... Não dá para condenar mais. É preferível mesmo o agora. O relógio só pára na sua forma mecânica. Na sua forma invisível e imortal, o Divino Tempo não nos concede outra escolha senão o agora. Continuando...

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